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Estudos apresentam novos fatores de risco para a variabilidade da pressão arterial

Atualizada em 03/11/26 09:28.

Pesquisa da UFG, publicado em site internacional, analisa além de uma única leitura da pressão arterial

Por Jayme leno

A hipertensão arterial (pressão alta) é uma condição crônica que atinge diversos brasileiros, na qual a pressão do sangue contra as paredes das artérias permanece elevada. Estudo conduzido pelo enfermeiro egresso do programa de Pós-Graduação em Enfermagem e Saúde (PPGENFS) da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás (FEN/UFG), Dr. Ricardo Costa da Silva, orientado pela Profa. Dra. Águeda Cavalcante, investiga fatores associados às alterações da pressão arterial em pacientes cardíacos hospitalizados e busca contribuir para o aprimoramento dos diagnósticos de enfermagem.

A pesquisa, intitulada “Além da leitura da pressão arterial: entendendo o risco de desequilíbrio na pressão arterial”, faz parte de uma série mensal que destaca o impacto da pesquisa apoiada pela Fundação da Associação Internacional de Conhecimento em Enfermagem (INKA). O estudo investiga fatores que podem ajudar os profissionais de enfermagem a identificar precocemente pacientes cardíacos hospitalizados com risco de desequilíbrio da pressão arterial, contribuindo para a prevenção de complicações cardiovasculares.

A orientadora explica o impacto direto que a investigação provoca na sociedade, onde as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil. Águeda afirma que “quando os enfermeiros compreendem esse processo clínico, tendem a ter melhor conduta e melhor tomada de decisão em qualquer cenário de atuação, seja hospitalar, atenção primária ou domiciliar.”

A investigação integra o trabalho desenvolvido por Ricardo durante o doutorado e dá continuidade a uma trajetória acadêmica dedicada ao estudo sobre o assunto e do cuidado a pessoas com alterações cardiovasculares. “Algumas variações de pressão arterial, mesmo num paciente saudável que não tenha já um diagnóstico específico médico de hipertensão arterial, são preditivas para alterações cardiovasculares”, explica Ricardo. 

Além da leitura da pressão arterial

O estudo foi desenvolvido em quatro etapas de validação do diagnóstico de risco de pressão arterial desequilibrada. Inicialmente, o pesquisador realizou uma revisão de escopo em mais de sete bases de dados científicas para identificar fatores associados às alterações pressóricas em pacientes hospitalizados. Essa etapa resultou no levantamento de 18 fatores de risco, posteriormente submetidos à avaliação de especialistas brasileiros das áreas de enfermagem, medicina e outras profissões da saúde.

Nessa segunda fase, 54 especialistas participaram do processo de avaliação, contribuindo para verificar a relevância dos fatores identificados na literatura. Dos 18 fatores inicialmente levantados, 14 foram considerados válidos. Um dos diferenciais metodológicos apontados pelo pesquisador foi a utilização simultânea de oito parâmetros de avaliação de validade de conteúdo, estratégia denominada por ele de multi agregação, que buscou ampliar o rigor da análise.

Com base nos resultados da revisão e na avaliação dos especialistas, a equipe também desenvolveu uma teoria de médio alcance para explicar como diferentes condições podem contribuir para o desequilíbrio da pressão arterial. A proposta é oferecer fundamentos teóricos que auxiliem os profissionais a compreender a relação entre os fatores identificados e as alterações observadas nos pacientes.

A pesquisa avançou para a etapa de validação clínica, realizada no Hospital das Clínicas da UFG (HC-UFG). Entre outubro de 2024 e junho de 2026, mais de 140 pacientes cardíacos hospitalizados foram acompanhados durante sete dias consecutivos. Ricardo relata que “para um diagnóstico ser aplicável na prática clínica, ele precisa passar por diferentes etapas de refinamento para que a gente consiga ter evidências de fato que ele existe, que ele é válido, que ele é factível, para ser utilizado”. O objetivo foi observar a ocorrência de alterações pressóricas e investigar a relação entre essas manifestações e os fatores identificados nas etapas anteriores.

Alterações cotidianas

De acordo com os dados preliminares apresentados pelo pesquisador, cerca de 30% dos participantes apresentaram alterações da pressão arterial relacionadas aos fatores investigados. “Houve essa frequência muito grande dos fatores que hoje não estão presentes na classificação, que é a alteração do padrão de sono, o estresse, a ansiedade e a própria retenção urinária, que são coisas que acontecem com esse paciente hospitalizado”, declarou o pesquisador. 

O pesquisador afirma ainda que “É isso que a gente quer evitar com nosso estudo: mostrar o quanto esses fatores precisam ser investigados precocemente e tratados para evitar esse desfecho negativo”. A identificação dessas condições pode contribuir para uma avaliação de enfermagem mais abrangente, que considere não apenas o histórico de hipertensão, mas também outras circunstâncias capazes de influenciar a pressão arterial durante a hospitalização. 

Ao qualificar o raciocínio clínico do enfermeiro sobre a instabilidade pressórica, a pesquisa incide sobre um dos pontos de maior potencial de prevenção do cuidado. Os resultados da etapa clínica ainda estão em análise estatística e a força da associação entre cada fator e os desfechos observados ainda precisa ser estabelecida.

Reconhecimento internacional

O desenvolvimento do estudo contou com apoio financeiro da NANDA International, por meio de uma bolsa destinada a pesquisas voltadas ao refinamento de diagnósticos de enfermagem e ao raciocínio clínico. O recurso foi fundamental para viabilizar a coleta diária de dados, incluindo a aquisição de aparelhos de aferição da pressão arterial e outros equipamentos utilizados na avaliação clínica, além do suporte à equipe de pesquisa.

Os resultados da etapa de validação de conteúdo também foram apresentados em um congresso internacional da NANDA, realizado em Lisboa, em 2025. Na ocasião, o trabalho recebeu reconhecimento na categoria de pôsteres, segundo o pesquisador. Para Ricardo, a conquista representa não apenas um marco em sua trajetória acadêmica, mas também “coloca o Brasil nessa rota de pioneirismo no avanço da pesquisa em diagnóstico de enfermagem”.

Pesquisa Nanda
Dr. Ricardo Costa da Silva

 

Fonte: Comissão de comunicação FEN-UFG

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