Coordenadores de cursos de enfermagem se reúnem para dialogar sobre as transformações no cenário educacional da profissão
Comunidade FEN assume protagonismo na realização da iniciativa
Por Jayme Leno
Na última sexta-feira, 13 de março, representantes da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás (FEN-UFG) marcaram presença no I Encontro de Coordenadores de Cursos de Graduação em Enfermagem, promovido pelo Conselho Regional de Enfermagem de Goiás (Coren-GO). A atividade reuniu gestores de cursos, integrantes dos Núcleos Docentes Estruturantes (NDE) e docentes de diversas faculdades de enfermagem do estado de Goiás, favorecendo o diálogo entre o Coren-GO e as instituições formadoras, além de estimular o alinhamento técnico, pedagógico e ético na formação de futuros profissionais de Enfermagem.
A iniciativa foi idealizada e coordenada pela Câmara Técnica de Educação e Pesquisa do Coren-GO, que conta com a participação de dois docentes da FEN: o vice-diretor da unidade, Prof. Dr. Hélio Galdino Júnior, e a Profa. Dra. Selma Rodrigues Alves Montefusco. Outras docentes da FEN também estiveram presentes, entre elas a diretora, Profa. Dra. Heliny Carneiro Cunha Neves; a vice-coordenadora de graduação, Profa. Dra. Nilza Alves Marques Almeida; a coordenadora de pós-graduação lato sensu, Profa. Dra. Leonora Rezende Pacheco; a presidente do NDE, Profa. Dra. Cristiana da Costa Luciano; As palestrantes Profa. Dra. Águeda Maria Ruiz Zimmer Cavalcante e Profa. Dra. Luana Cássia Miranda Ribeiro; e a Profa. Dra. Patrícia Tavares dos Santos.
A participação do corpo docente evidencia o papel estratégico da universidade pública na formulação de políticas e ações voltadas à qualificação da formação em Enfermagem no estado. Hélio ressalta que “a presença de docentes da FEN/UFG em instâncias técnicas do conselho fortalece a integração com o ensino e contribui diretamente para o alinhamento entre formação acadêmica, exigências ético-legais e necessidades do sistema de saúde”.
Selma Montefusco também reafirma que a aproximação entre o Conselho e as instituições de ensino é fundamental para enfrentar desafios estruturais da área. “Quando o Conselho vai às unidades de saúde e identifica fragilidades no cuidado, percebe que muitas delas não são apenas estruturais, mas estão relacionadas à formação do enfermeiro. Por isso, surgiu a necessidade de dialogar com os coordenadores sobre temas como a reformulação das Diretrizes Curriculares Nacionais, que já está próxima e ainda gera muitas dúvidas”, explica.
Temas abordados
Durante o encontro, foram debatidos temas como a reformulação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), a curricularização da extensão, a atuação do enfermeiro responsável técnico (RT) nas instituições de ensino e os impactos dos indicadores do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) na avaliação dos cursos. Selma Montefusco, que também atuou como mediadora em duas mesas do evento, destaca que os temas discutidos foram planejados com antecedência pela Câmara Técnica, a partir de demandas observadas tanto na formação quanto na prática profissional. Ela também reforça o papel da UFG nesse cenário: “Estamos inseridos em diversos campos de formação no estado, e participar desse debate é muito significativo. Entendo que o papel do educador extrapola os muros da universidade”.
A presidente do Núcleo Docente Estruturante, Cristiana Luciano, explica que todos os assuntos discutidos são de grande relevância para a formação do enfermeiro. A docente informa que:
As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) estabelecem orientações gerais para os currículos das instituições de ensino, garantindo um padrão mínimo de qualidade em todo o país. Seguir essas diretrizes é fundamental para a elaboração de um projeto pedagógico de excelência na formação em Enfermagem.
A curricularização da extensão consiste na integração das atividades extensionistas ao currículo dos cursos de graduação, aproximando a universidade da sociedade e tornando a formação acadêmica mais prática e socialmente comprometida. Essa proposta ainda representa um desafio para os coordenadores, e o encontro com o Coren-GO trouxe reflexões importantes para sua implementação.
Já a atuação do enfermeiro responsável técnico (RT) nas instituições de ensino está relacionada à garantia da qualidade, segurança e organização das atividades práticas realizadas pelos estudantes, além de assegurar o cumprimento das normas estabelecidas pelo Coren e pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).
Os indicadores do Enade foram discutidos como instrumentos essenciais para avaliar o desempenho dos estudantes e verificar se os cursos estão atingindo os objetivos formativos propostos. Esses dados permitem às instituições identificar pontos fortes e fragilidades, possibilitando ajustes no currículo, nas metodologias de ensino e na organização pedagógica.
Palestra
Para a Profa. Dra. Águeda Maria Ruiz Zimmer Cavalcante, o encontro representou um marco para a Enfermagem em Goiás ao colocar, de forma inédita, o órgão regulador no centro do diálogo com as instituições formadoras.
Segundo ela, a iniciativa do Coren-GO de promover esse espaço evidencia o compromisso com a qualidade da formação e com a segurança do paciente, ao aproximar a fiscalização da realidade vivida nas salas de aula e nos cenários de prática. “Mais do que um evento, foi um compromisso coletivo com a excelência do ensino e com a assistência segura”, destaca. A docente também ressaltou que a presença de coordenadores de cursos de todo o estado foi estratégica para fortalecer a integração entre regulação, ensino e serviços de saúde, além de permitir a construção conjunta de soluções para desafios já identificados na formação.
Como uma das palestrantes, Águeda explica que o convite surgiu a partir dos docentes organizadores da FEN, com o objetivo de contribuir para o debate sobre os desafios e as perspectivas da prática clínica na formação dos enfermeiros. Em sua abordagem, ela enfatizou a centralidade do Processo de Enfermagem como elemento indissociável do cuidado, destacando a importância de fortalecer, ainda na graduação, competências como o raciocínio clínico, a tomada de decisão e a qualificação dos registros. Para a professora, discutir esses temas em um espaço articulado pelo próprio Conselho amplia a legitimidade das pautas e contribui para alinhar expectativas entre formação e prática profissional. “Em um fórum como esse, conseguimos unir evidências científicas, parâmetros regulatórios e experiências de campo para ajustar rotas e qualificar tanto a formação quanto a assistência”, conclui.
Fonte: comunicação FEN
