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Claci Fátima Weirich Rosso se despede da FEN UFG

Atualizada em 03/03/26 15:16.

Professora deixa legado de gestão, ciência e compromisso com o SUS

Texto - Jayme Leno

Fotos - Amanda Rodrigues

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Na última sexta-feira (27/02), a Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás (FEN/UFG) realizou reunião do Conselho Diretor para o planejamento pedagógico da unidade. Na ocasião, a data também foi marcada por uma homenagem de despedida à Profa. Dra. Claci Fátima Weirich Rosso, reconhecendo sua trajetória e contribuição histórica à instituição. Após quase três décadas dedicadas à FEN, a docente se despede neste ano (2026), encerrando um ciclo marcado por pioneirismo, firme defesa da saúde pública e uma trajetória profundamente entrelaçada à história recente do Sistema Único de Saúde (SUS) e da própria faculdade.

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Vinda do Paraná, Claci chegou a Goiás movida pelo desejo de ensinar e de atuar na saúde pública. Formada em 1985, antes mesmo da criação do SUS, ela acompanhou de perto a transição das Ações Integradas de Saúde (AIS) ao Sistema Único Descentralizado de Saúde (SUDS) e, posteriormente, à consolidação do SUS nos anos 1990. Essa vivência histórica moldou sua atuação acadêmica e política. “Cuidar vai muito além do hospital. É olhar para o ambiente onde a pessoa vive, compreender sua realidade e atuar na prevenção”, afirmou a professora.

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Defesa da atenção primária e do PNI

Entre as frentes que mais marcaram sua trajetória está a defesa intransigente da atenção primária e do Programa Nacional de Imunizações (PNI), criado na década de 1970 e responsável por transformar os indicadores de mortalidade e morbidade no país. Durante sua gestão na FEN, Claci liderou a criação da sala de imunização, concebida como espaço pedagógico e político. O local passou a formar estudantes e, ao mesmo tempo, atender a comunidade, reforçando o papel social da universidade pública. “A universidade é financiada pelo povo e precisa devolver à sociedade conhecimento e cuidado”, destacou.

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Pioneirismo acadêmico e grandes pesquisas

A professora também foi uma das responsáveis pela criação do primeiro mestrado profissional em Saúde Pública da região Centro-Oeste, vinculado ao Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP/UFG). A proposta, construída coletivamente e aprovada pela Capes, teve como objetivo qualificar servidores estaduais e fortalecer a gestão pública em saúde.

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Sua atuação em pesquisas de grande porte também ganhou projeção nacional. Claci coordenou estudos realizados em todos os 246 municípios goianos, além de integrar o projeto piloto do Inquérito Nacional de Saúde da Atenção Primária, desenvolvido em parceria com a Fiocruz e o Ministério da Saúde. Outra experiência marcante foi a coordenação do Projeto Rondon na FEN, iniciativa interministerial do Governo Federal que leva estudantes universitários a comunidades vulneráveis para desenvolver ações sociais e educativas.

SANRURAL 

À frente de projetos de extensão e pesquisa, a professora também coordenou o SANRURAL, desenvolvido em parceria com a Funasa. Com financiamento de R$ 10 milhões, o projeto investigou as condições de saúde e saneamento de populações ribeirinhas, quilombolas e periféricas. A iniciativa integrou diferentes áreas da universidade e resultou em pesquisas, ações educativas e materiais didáticos voltados às comunidades e aos profissionais da atenção primária. “Saneamento é saúde. Quando melhoramos as condições básicas, transformamos a qualidade de vida”, reforçou.

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Gestão 

Diretora da FEN entre 2018 e 2021, Claci assumiu o desafio de manter o conceito máximo da unidade e avançar em áreas estratégicas. Durante sua gestão, foi implantado o primeiro Laboratório de Simulação Clínica da faculdade, além da ampliação e modernização de laboratórios, salas de aula e espaços de convivência estudantil. Outro marco foi a consolidação do ambulatório de práticas integrativas e medicina tradicional chinesa, resultado de articulações institucionais que envolveram missão acadêmica à China e a estruturação do Instituto Confúcio na UFG.

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Ela também destaca a criação do primeiro regimento da FEN, o projeto FEN Memória e a galeria de diretores como iniciativas voltadas à preservação da história institucional. “Quem não conhece a própria história corre o risco de repetir erros”, afirmou.

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Maior desafio

O período mais desafiador de sua gestão foi a pandemia de Covid-19. Em 2020, diante do lockdown e das incertezas, a FEN liderou um projeto institucional aprovado integralmente em edital do Ministério da Educação para enfrentamento da crise sanitária. A universidade montou tendas de testagem para profissionais de saúde e segurança pública, estruturou ações de telemonitoramento e realizou pesquisas que resultaram em publicações científicas e reconhecimento nacional, com destaque em reportagens exibidas no Jornal Nacional e no Jornal Hoje.

Mesmo em meio à crise, a direção garantiu a continuidade do ensino em formato síncrono e buscou equipamentos para assegurar que os estudantes acompanhassem as atividades remotamente. “Sabíamos que estávamos formando profissionais essenciais para aquele momento histórico”, relembrou.

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Fonte: comunicação FEN UFG

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