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Uma homenagem às mulheres cientistas

Atualizada em 10/03/21 08:51.

Para que mais e mais mulheres possam fazer a diferença na ciência e na sociedade

Kharen Stecca, Luciana Santal, Mariza Fernandes e Versanna Carvalho

Apenas 40% das pesquisadoras doutoras no Brasil são mulheres, segundo um levantamento feito pelo Open Box da Ciência. Elas são maioria na área de Saúde e Línguas, Letras e Artes. No entanto, são apenas 26% das pesquisadoras na área de Engenharia. Mesmo nas áreas em que se destacam, tendem a ter mais dificuldades na carreira ao longo dos anos e com a chegada dos filhos, seja no número de publicações, seja na ocupação de cargos de chefia. Para mudar esse quadro é preciso um trabalho intenso desde a Educação Básica e contínuo, pois a mudança precisa perpassar as estruturas do trabalho e até mesmo da família. 

Mudar esse quadro não é simples e nem rápido, mas há mulheres que podem nos inspirar nessa mudança. No mês em que comemoramos o Dia Internacional da Mulher (8 de março) a Universidade Federal de Goiás, em parceria com o shopping Passeio das Águas, escolheu 20 professoras que têm feito a diferença, demonstrando o potencial do papel da mulher na Ciência. Muitas, inclusive, tiveram grande atuação com iniciativas que vêm auxiliando no combate à pandemia, outras se destacam justamente por projetos de incentivo à participação feminina na Ciência. Essas são só algumas das muitas mulheres de destaque na UFG. Mas por elas homenageamos a todas as mulheres que desejam um mundo mais justo e igualitário e também incentivamos que mais e mais mulheres possam se sentir empoderadas e fazer a diferença na vida de outras tantas mulheres. 

As homenageadas deixaram um recado para os leitores do Jornal UFG salientando a importância das mulheres serem incentivadas a fazerem ciência. Confira!

Helini Carneiro

Heliny Carneiro Cunha Neves

Doutora em Enfermagem. Docente na Faculdade de Enfermagem da UFG. Tem experiência em pesquisa relacionada à prevenção, controle e epidemiologia das infecções associadas a dados em saúde e das doenças transmissíveis. Durante a pandemia de Coronavírus, tem coordenado ações como oficinas de Biossegurança para profissionais de saúde, treinamento sobre Equipamento de Proteção Individual (EPI) para residentes e internos que atuam na linha de frente do combate à Covid-19 e orientações à Polícia Técnico Científica quanto às medidas de proteção. 

 

“Apesar dos avanços e de ter aumentado a representatividade feminina na ciência, ainda há uma minoria de mulheres no meio científico. Incentivar as mulheres a fazer ciência é essencial para promover a igualdade e favorecer a diversidade. É por meio da ciência que promovemos o desenvolvimento do nosso país, da nossa realidade. A ciência é capaz de transformar uma sociedade e apontar soluções e é por meio da diversidade que ela se fortalece. Diante da pandemia da Covid-19 ficou evidente o quanto as mulheres estão contribuindo para a ciência e para o enfrentamento dessa doença”.

 

 

 

Juliana Alves

Juliana Alves Parente Rocha

Biomédica com doutorado em Ciências Médicas. Docente no Instituto de Ciências Biológicas da UFG. É coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular da UFG e membro da Comissão interna de Biossegurança da UFG. Juliana Alves Parente Rocha atua na coordenação da Rede de Laboratórios de Campanha de Covid-19, que garante o diagnóstico de Covid-19 de forma gratuita para a população

 

“Incentivar mulheres a fazer ciência é importante para quebrar o estereótipo da mulher somente cuidadora do lar, ainda arraigado na cultura brasileira. As mulheres devem perceber que podem ser cientistas sem deixarem de ser esposas ou mães, por exemplo. É importante também para que meninas cresçam com sentimento de representatividade na ciência, estimulando-as a seguir esta carreira. Defender o direito da mulher ser cientista é sonhar com o direito de uma família mais equacionada, com homens e mulheres com mesmos direitos no trabalho e iguais deveres no lar.”

 

 

 

 

 

Karlla Caetano

Karlla Antonieta Amorim Caetano

Docente na Faculdade de Enfermagem da UFG. Doutora em Ciências da Saúde e líder do Núcleo de Estudos em Epidemiologia e Cuidados em Infecções Transmissíveis e Agravos à Saúde Humana (NECAIH). Coordena o projeto “Cuidar Sempre: Covid-19”, que testa pessoas em situação de vulnerabilidade social para Covid-19 em Goiânia, como catadores de material reciclável, imigrantes estrangeiros e refugiados e profissionais do sexo.

 

“A mulher na ciência, como em muitas áreas profissionais, vivencia uma desigualdade.  Promover o acesso igualitário da participação da mulher na ciência deve ser um compromisso social e econômico. É preciso dar voz e condições para que as mulheres possam mostrar seu brilhantismo na pesquisa. A ciência chama por mulheres corajosas, questionadoras, curiosas e que buscam transformar o mundo. A ciência chama por você. Acredite, nós somos capazes, nós podemos!”

 

 

 

 

 

 

Megmar

Megmar Aparecida dos Santos Carneiro

Professora e Pesquisadora no Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da Universidade Federal de Goiás (IPTSP/UFG), doutora em Medicina Tropical e Saúde Pública com experiência na área de Microbiologia Médica (Virologia), Biologia Molecular, com ênfase em epidemiologia, prevenção e controle das hepatites virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). É vice- coordenadora de área do Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical e Saúde Pública. Coordena projetos financiados por agências de fomento (FAPEG e CNPq). É revisora de artigos científicos para vários periódicos nacionais e internacionais. Seu grupo de pesquisa desenvolveu projetos como "Cuidar Sempre" Testagem para COVID-19 em Populações em Situações de Vulnerabilidades Social e Econômica, onde realizamos testagem em grupos como: catadores de lixo reciclável, pessoas em situação de rua, imigrantes e refugiados, profissionais do sexo, LGBTQI, usuários de álcool e drogas ilícitas e pessoas vivendo com HIV/aids.

 

 

 

 

 

"Ao longo da história, as mulheres lutam contra preconceitos para atuar  no  campo da ciência. Ainda não é fácil mesmo em pleno século XXI, mas a  competência, dedicação e brilhantismo das mulheres vem quebrando barreiras  e são notáveis as  suas contribuições nas mais diversas áreas da ciência, incentivando e formação de novas pesquisadoras.”

 

 

 

 

 

 

 

 

Cristiana Toscano

Cristiana Maria Toscano

Médica infectologista, doutora em Epidemiologia, docente do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da UFG, membro do Grupo de Trabalho de Vacinas para Covid-19 do Comitê Estratégico Internacional de Experts em Imunização da Organização Mundial da Saúde (Sage/OMS). Integra a Equipe de Modelagem da Expansão Espaço-Temporal da Covid-19 em Goiás.

 

"As mulheres devem participar ativamente em todas as áreas e setores da sociedade. Uma vez que a ciência é um dos mais importantes pilares estruturantes de uma sociedade, devemos incentivar mulheres e meninas a seguir uma vida profissional na área da ciência. Assim teremos uma sociedade mais desenvolvida, ancorada na ciência e na equidade e, acima de tudo, contando com a competência de todos, independente de gênero".

 

 

 

 

 

 

 

Dorivalda Medeiros

Dorivalda Santos Medeiros

Doutora em Engenharia Mecânica, docente na Faculdade de Artes Visuais da UFG, atua na área de tecnologia de materiais, têxteis (fibras e tecidos), design e moda. Integrou a equipe do Projeto EPI UFG, que produziu máscaras e vestimentas hospitalares para profissionais de saúde e publicou notas técnicas com orientações sobre materiais têxteis e máscaras no contexto da pandemia, conforme requisitos da OMS, MS e ABNT.

 

"Os estereótipos de gênero no campo científico, infelizmente, são incutidos em nós desde cedo, seja na escola, na família ou meio social. No sentido de reverter essa condição, precisamos reforçar cada vez mais a compreensão de que as habilidades necessárias para uma carreira científica podem ser desenvolvidas independentemente do gênero. Fazer ciência é uma habilidade que se adquire buscando conhecimentos, e que teoricamente homens e mulheres deveriam ter. Nós podemos tudo, e se podemos, devemos buscar esse espaço na ciência".

 

 

 

 

 

 

Fabíola Fiacaddori

Fabiola Sousa Fiaccadori

Docente e pesquisadora do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da UFG, doutora em Microbiologia-Virologia, desenvolve pesquisas na linha de epidemiologia molecular das infecções virais. Coordena pesquisas no contexto da pandemia covid-19, investigando aspectos associados ao diagnóstico laboratorial e epidemiologia molecular do sars-cov-2 em Goiás.

 

"Ciência é um somatório de conhecimentos que viabilizam avanços determinantes na qualidade da vida humana, em todas as suas facetas. Desafiadora e colaborativa, inquieta e curiosa, em sua essência a ciência é alimentada pela diversidade. A ciência é apaixonante! E assim, ao longo da história, mulheres se encantaram com este surpreendente universo de descobertas, conquistando destacado papel. Por isso é que, cientes da necessidade constante de evolução, seguimos contribuindo com nosso trabalho e dedicação".

 

 

 

 

Gabriela Duarte

Gabriela Rodrigues Mendes Duarte

Docente do Instituto de Química da UFG, doutora em Química Analítica, atualmente trabalha com diagnósticos moleculares para doenças infecciosas. Coordena a pesquisa que desenvolveu um novo método molecular rápido que pode ser utilizado para detecção da covid-19 em estágios iniciais, sendo mais rápido, e barato que os atuais, podendo também ser aplicado em locais com pouca estrutura laboratorial.

 

"As mulheres têm capacidade e potencial para ajudar no desenvolvimento da ciência e avanço da fronteira do conhecimento, entretanto a presença das mulheres na ciência ainda esbarra em preconceitos e no machismo de uma sociedade que insiste em não valorizar suficientemente o papel da mulher na ciência. Ainda precisamos incentivar a valorização da mulher na ciência para que estejamos em pé de igualdade dos homens. Além disso, precisamos ser mais respeitadas! Ainda existe muito preconceito!"

 

 

 

 

 

Anna Benite

Anna Maria Canavarro Benite (IQ)

Doutora em Ciências, docente do Instituto de Química da UFG, coordenadora do Laboratório de Pesquisas em Educação Química e Inclusão. Instituiu o Grupo de Estudos sobre a Descolonização do Currículo de Ciências (Coletivo Ciata), integra o projeto Investiga Menina!, que incentiva estudantes negras a escolherem carreiras nas Ciências Exatas. Atuou em diversos eventos on-line para discutir sobre a valorização da presença das mulheres, sobretudo, as negras na produção e ensino de ciências e tecnologias.

 

“A ciência mundial é ensinada e produzida a partir de contextos do ocidente que prometem uma visão neutra e privilegiada e que ignora as demandas políticas, desigualdades de raça e gênero construídas na história da humanidade. Desta forma, as representações sobre ciências são geralmente formadas pela imagem do homem branco e europeu. O que conhecemos hoje como ciência foi assim estabelecido pela invenção da modernidade que é sinônimo de racismo e de colonização e assim segue cristalizando lugares de alocação pré estabelecidos. Justo por esses motivos importa incentivar as mulheres, sobretudo as negras para que escolham as carreiras de C&T. A inserção destas na ciência agrega perfis mais dinâmicos e abrangentes de se pensar e produzir soluções permitindo produzir melhores respostas para a sociedade como um todo. Isso de fato é Inovação!”

 

 

 

Karla Emmanoela

Karla Emmanuela Ribeiro Hora 

Professora da Escola de Engenharia Civil e Ambiental da UFG, doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento. Entre os diversos projetos que esteve envolvida, criou, em parceria com outras professoras, o projeto “Conversas de Meninas e Engenheiras: semeando oportunidades para a igualdade de gênero nas ciências”, voltado a estudantes da Educação Básica de Goiânia, e que resultou em um livro. A 2ª edição do projeto está prevista para ser lançada em março deste ano.

"Nos cursos de formação tecnológica e exatas ainda temos pouca participação de meninas. Assim, nosso papel enquanto UFG e EECA é mostrar para as estudantes do ensino fundamental e médio que meninas também podem ser Engenheiras e Cientistas. Nossas ações tem dois focos importantes: (1) dar destaque para as mulheres e suas pesquisas na área tecnológica criando um ambiente de maior representatividade feminina de tal forma que estimule as meninas a seguirem carreira profissional nestas áreas e (2) fortalecer e apoiar as meninas que estão nestes cursos, principalmente, superando as barreiras de gênero que afetam sua autoestima ao longo de suas vidas. Um terceiro aspecto que poderia ser acrescentado é a própria valorização e visibilização das mulheres que estão na docência [ensino, pesquisa, extensão e gestão] nas engenharias. Nesse caso as ações visam despertar tanto homens quanto mulheres para a importância do respeito mútuo, cooperação e de ações ativas para superação das violências de gênero no ambiente de trabalho. Sobre isto, além da representatividade, devemos adotar uma linguagem não ofensiva e desnaturalizar aquilo que se apresenta como violência psíquica ou sutil. Exemplifica isto falas tais como: "ela é tão bonitinha para estar aqui"; "ela não tem um pulso forte" etc.  É preciso criar empatia e fortalecer um ambiente de crescimento mútuo e saudável para todos e todas. As mulheres cientistas têm muito a contribuir com a engenharia e a sociedade!."

 

Telma

Telma Alves Garcia

Telma é graduada em Farmácia. Mestre em Ciências da Saúde e doutora em Ciências Biológicas (Biologia Molecular). Docente na Faculdade de Farmácia da UFG desde 1993. Tem experiência na área de Farmácia, com ênfase em Bromatologia, destacando atuação nos temas: controle de qualidade de alimentos e matérias-primas; análise de rotulagem de alimentos. Atuou como Coordenadora Geral de Estágios da Pró-Reitoria de Graduação da UFG e como Coordenadora do Curso de Farmácia da UFG. Atualmente é Diretora da Faculdade de Farmácia da UFG. Desde o início da pandemia a professora coordena o projeto de extensão “Suporte Laboratorial ao Diagnóstico de Covid 19” e participa, por meio da rede de laboratório da UFG para o diagnóstico da Covid-19, de diversos projetos de extensão e pesquisa que estudam a Covid-19, ligados à outras unidades da UFG.

 

 

“A participação das mulheres na ciência deve ser permanentemente divulgada entre nossas discentes porque a representatividade feminina é fundamental para motivar as jovens a seguir carreiras na ciência. Como gestora, docente, pesquisadora, nos vimos no papel de incentivar, divulgar, apoiar as ações e buscar meios que favoreçam a participação das mulheres na ciência.”

 

 

 

 

 

 

 

 

Estela Leal

Estela Leal Chagas do Nascimento

Doutora em Geologia, é docente do curso de Geologia, na Faculdade de Ciência e Tecnologia (Câmpus Aparecida). Co-criadoras do projeto Aprender Fazendo, com abordagens experimentais e motivadoras para futuras estudantes de Computação, Ciências Exatas e Engenharias, incentivando a participação de mulheres na ciência. Em 2020, a equipe do projeto desenvolveu oficinas on-line interativas com as alunas e professoras das escolas participantes.

 

“Apesar dos avanços nas últimas décadas, ainda precisamos atuar para obtermos maior paridade na participação de homens e mulheres na ciência. Dentro da carreira acadêmica, o número de mulheres (principalmente em carreiras de exatas) vai diminuindo à medida em que o nível de pesquisa se torna mais complexo. Sem contar com a queda na produtividade e financiamentos de pesquisa após as pesquisadoras se tornarem mães. Para revertermos esse quadro gradativamente, se faz necessária a atuação mais expressiva de pesquisadoras na raiz do problema: divulgação científica e o incentivo à participação de estudantes meninas em atividades científicas, de preferência lúdicas e interativas, desde o ensino fundamental. As atividades de extensão entre as universidades e a comunidade se tornam uma oportunidade ímpar para acessarmos jovens estudantes e mudarmos aos poucos esse quadro.”

 

 

 

 

Thaísa Anders

Thaísa Anders Carvalho Souza 

Doutora em Ciências da Saúde, vice-diretora e professora na Faculdade de Nutrição da UFG. Atuou no projeto UFG Solidária, que auxiliou famílias e instituições com alimentos e produtos de higiene pessoal durante a pandemia; no projeto Feira Interinstitucional Agroecológica “Virtual”; no projeto Fortalecimento do PNAE em Goiás, que assessorou municípios para a manutenção da oferta de alimentos a alunos de escolas municipais e estaduais no período de suspensão das aulas.

“O ambiente acadêmico e de pesquisa por muito tempo foi ocupado em sua maioria pelo gênero masculino. Entretanto, as mulheres estão se empoderando deste ambiente e hoje encontramos mulheres cientistas e pesquisadoras realizando trabalhos com projeção nacional e internacional nas instituições públicas e privadas de ensino e pesquisa. É muito importante a presença das mulheres nesse espaço de geração de conhecimento, uma vez que essa ocupação representa o empoderamento do nosso gênero, a quebra de conceitos culturais de submissão e de impedimento ao acesso à educação. Mulher não deve seguir preceitos e aceitar que digam onde ela deve estar… “lugar de mulher é onde ela quiser”... em casa cuidando dos filhos, no mercado de trabalho, no seu empreendimento, e nas cadeiras das universidades: como alunas, professoras, técnicas ou pesquisadoras. A diferença de gênero enriquece as pesquisas e fomentam o conhecimento.

Nos projetos que tenho a oportunidade de colaborar sempre incluo conteúdos e informações sobre o empoderamento feminino, seja com mulheres da comunidade urbana ou rural. Além de oportunizar acesso a conhecimento técnico por grupos de mulheres em projetos de extensão. Nos deparamos com desafios, principalmente culturais, mas com empenho temos conseguido fortalecer e dar autonomia a muitas mulheres em projetos de minha responsabilidade como “Regularização de Produtos da Economia Solidária”; “Feira Interinstitucional Agroecológica”; “Aperfeiçoamento da Cadeira Produtiva do Barú”, dentre outras ações em projetos que não estão sob minha coordenação.”

 

Marta Alves

Marta Maria Alves da Silva

É médica do Hospital das Clínicas/UFG e do Núcleo de Vigilância às Violências e Promoção da Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia. Com residência em Medicina Preventiva e Social e mestrado em Saúde Coletiva, atua no Mentoring da Faculdade de Medicina (UFG). É responsável técnica pelo Telemonitoramento COVID-19, iniciado em março de 2020, que acompanha os pacientes que moram em Goiânia e se encontram em quarentena. Também coordenou e executou as lives “Saúde e pandemia covid-19”, da Reitoria Digital/UFG, realizadas entre junho e novembro de 2020, que tinham como objetivo discutir temas relevantes relacionados à pandemia a partir das evidências científicas. 

 

“As mulheres têm, ao longo da história da humanidade, um papel essencial no cuidado com a vida, seja das pessoas, seja dos animais e das plantas. Têm sido verdadeiras guardiãs da vida no planeta Terra... isso desde sempre, nos cuidados com os filhos, filhas e companheiros(as), na arte e sabedoria de lidar com as ervas e plantas medicinais, também como doulas, irmãs, mães, filhas, amigas, trabalhadoras, cientistas, artistas, políticas.... Em todos os espaços de nossa sociedade, a presença e participação das mulheres fazem a diferença, trazem novos conhecimentos e contribuem para a ciência e para a vida. Rompem paradigmas e enfrentam diariamente o preconceito e o machismo, mas seguem lutando, empoderadas, conquistando seus direitos e defendendo a vida e a paz”. 

 

 

 

Menira

Menira Borges de Lima Dias e Souza

Biomédica virologista e professora na Universidade Federal de Goiás (UFG), onde também atua, voluntariamente, na rede de laboratórios de diagnóstico da COVID-19. Em parceria com a professora Fabíola Souza Fiaccadori, coordena o LABCOVID, instalado no Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP), e trabalha diretamente na execução dos testes laboratoriais. Por meio do convênio entre a Rede UFG e a Prefeitura de Goiânia, foram realizados mais de 5 mil testes moleculares para a detecção do RNA do SARS-CoV-2. O LABCOVID também é local de aprendizado, já que a estrutura laboratorial é usada para o desenvolvimento de diferentes projetos de pesquisa

"Incentivar mulheres a fazerem ciência é de extrema importância. Embora não seja reconhecido pelas sociedades, as mulheres são tão capazes quanto os homens de se tornarem grandes cientistas e de contribuírem com grandes descobertas. As mulheres, tanto quanto os homens, possuem características que são importantes para o pensamento e execução científica, como a perseverança, resiliência, capacidade de executar várias tarefas ao mesmo tempo, além de serem muito intuitivas.

As mulheres cientistas, muitas vezes, têm que se empenhar e se sacrificar muito mais do que os homens, pois muitas têm que dividir seu tempo e dedicação entre a ciência e a família, além de contribuírem, no geral, muito mais do que os homens na execução das tarefas domésticas. Acredito que por ser mulher, filha e mãe, além de ser professora e pesquisadora, já sou uma grande incentivadora das mulheres na ciência. Minhas orientandas e alunas que convivem comigo no dia a dia observam a batalha diária de ser uma mulher cientista. Procuro também entender os desafios pessoais que cada uma carrega e sempre incentivá-las a romper os obstáculos e dificuldades à medida que vão acontecendo. Uma frase que uso sempre é “no final, dá tudo certo”, e realmente sempre dá”. 

 

Luana Ribeiro

Luana Cássia Miranda Ribeiro

Docente na Faculdade de Enfermagem da UFG. Doutora em Enfermagem. Especialista em Saúde do Trabalhador. Colaboradora do Conselho Regional de Enfermagem de Goiás. Coordena o projeto de extensão multidisciplinar criado na UFG para mais de 200 mil máscaras cirúrgicas e 6 mil aventais, com o objetivo de distribuir os materiais para os profissionais de saúde que trabalham no combate à pandemia do coronavírus.

 

"A mulher tem uma importância histórica na ciência. No âmbito da saúde diversos estudos foram organizados por mulheres e tem grande impacto na assistência prestada até hoje. Como a ciência tem o papel de mudar o mundo é importante que as mulheres se empoderem para exercer cada vez mais as pesquisas científicas e o importante papel de mudar a nossa sociedade."

 

 

 

 

 

 

Valéria
Valéria Christina de Rezende Féres
Farmacêutica, doutora em Medicina Tropical e Saúde Pública, docente na Faculdade de Farmácia da UFG. Atua em pesquisas desenvolvendo metodologias diagnósticas, estudos epidemiológicos e vigilância de arbovírus. Participa da Rede de Laboratórios de Suporte ao Diagnóstico da Covid-19 na UFG, coordenando as atividades do diagnóstico molecular para Sars-CoV-2 no Laboratório Rômulo Rocha/BIOTEC - FF. Integra o Projeto Institucional em Rede: Laboratórios Para Testes de Diagnósticos da COVID-19, financiado pelo MCTIC e FINEP.

 

"Mulheres são muitas na ciência, e são crescentes, mas esse número pode ser ainda mais expressivo. Há que se construir o caminho com oportunidades, incentivos, valorização e respeito, desde a base. Respeito à maternidade, muitas vezes entendida como uma limitação à carreira, devendo-se sim, considerar como um tempo legítimo dado ao tempo para a natureza feminina gerar e cuidar! Muitos são os desafios, mas a condução da família e carreira tem sido feita com maestria. É importante incentivar as mulheres a fazer ciência sim! Porque o talento, a beleza, a capacidade, a fortaleza e a inteligência são inerentes à natureza feminina, basta cultivá-los. As mulheres na ciência são merecedoras de todas as homenagens, pois produzem frutos que transformam, as contribuições são e serão inúmeras!  

 

 

 

Sheila Teles
Sheila Araújo Teles
É professora da Faculdade de Enfermagem da UFG e pesquisadora do CNPq. Doutorado em Biologia Parasitária. Tem experiência em cuidado em saúde, epidemiologia e virologia. Estuda aspectos epidemiológicos de doenças infecciosas em populações vulneráveis. Atualmente desenvolve dois projetos sobre covid-19 denominados: “Impacto da Pandemia da covid-19 em populações vulneráveis" e "Persistência viral e de anticorpos anti-Sars-CoV-2 em indivíduos com covid-19”.

 

"A mulher, cada vez mais, conquista espaço na ciência e mostra a sua competência. Contudo, ainda somos poucas num universo predominantemente masculino. Precisamos que governos, organizações e instituições de pesquisa promovam, estimulem e apoiem a participação de mulheres na ciência, porque já provamos que fazemos a diferença".

 

 

 

 

 

 

 

Maristela Fernandes
Maristela Abadia Fernandes
Professora do curso de Design de Moda da Faculdade de Artes Visuais da UFG, doutora em “Storia Culture Civiltà”. Com sua experiência em criação de produtos de vestuário desde 1986, ela desenvolveu a modelagem e ficha técnica do jaleco de atendimento e um escafandro que está em andamento. Na Campanha “Eu te protejo, você me protege”, criou máscaras e vários tutoriais para ensinar a confeccioná-las.

 

"Desde a luta pela emancipação, a partir do século XIX, a mulher vem abrindo frentes de trabalho em praticamente todas as áreas do conhecimento e na ciência não é diferente. O que conta é a vontade de atuar, a busca por formação e a dedicação ao trabalho. A mulher pode isso. Minha área de atuação é sobretudo a moda, mas na pandemia pude experimentar outra abordagem para o meu trabalho no desenvolvimento de produtos de EPIs: a funcionalidade da roupa acima de tudo.
Incentivo as pessoas a descobrirem suas vocações e a lutar para desenvolvê-las. Acho que minha contribuição hoje é mostrar diferentes abordagens para o design de vestuário, incentivando inclusive a criação de produtos de EPIs que demandam materiais mais tecnológicos".

 

Claci Rosso
Claci Fatima Weirich Rosso
Doutora em Ciências da Saúde e diretora da Faculdade de Enfermagem da UFG. Coordenadora Pedagógica em Goiás do Curso de Qualificação de Gestores do SUS e de Campo do Inquérito de Saúde do Entorno Sul da Ride-DF. Coordena várias ações de enfrentamento à covid-19, em especial o Projeto Tenda Triagem Covid-19 UFG, assim como a participação da FEN na campanha de vacinação contra a covid-19 em Goiânia.

 

 

"A mulher tem um grande impacto na ciência. Ela é dedicada, determinada, detalhista e curiosa. E isso na ciência faz toda a diferença na qualidade das pesquisas e na produção científica".

 

 

 

 

 

 

 

 

Nara
Nara Aline Costa
Nutricionista, doutora em Fisiopatologia em Clínica Médica, professora da Faculdade de Nutrição da UFG. Como ação de enfrentamento à pandemia de covid-19, organizou a Campanha UFG Solidária, que arrecadou mais de R$ 115 mil, revertidos em 28 toneladas de alimentos e produtos de higiene e limpeza. A campanha beneficiou cerca de 1.800 famílias em situação de vulnerabilidade por meio de 18 projetos de extensão da UFG e 12 projetos sociais.

"Vivemos em um país de grande desigualdade social. A educação pode ser considerada peça fundamental para sanar essas dificuldades. Apesar da produção científica feminina ter aumentado nas últimas décadas, ainda enfrentamos muitas dificuldades para inserção no mercado de trabalho e condições de trabalho semelhantes. Acredito que nós mulheres somos o alicerce das famílias e das comunidades como um todo. Dessa maneira, estimular o planejamento familiar e oferecer condições mínimas para a segurança alimentar dos indivíduos, possibilita a busca por educação e o interesse pela ciência por boa parte das brasileiras que ainda não tiveram essa oportunidade. Como professora, busco sempre estimular a busca constante pelo aprendizado e a realização de qualquer tipo de trabalho com amor, de maneira a nos melhorarmos constantemente e influenciarmos de maneira positiva a vida daqueles que estão ao nosso redor."

 

Fonte: SECOM

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